top of page
Buscar

Autora 40+


Vivemos numa sociedade que privelegia o belo, o jovem, o magro. Os mais experientes, não contam. As mulheres, principalmente. Mas ainda há aqueles que dizem que a vida começa aos 40. Eu sou dessas, ou melhor, eu torço por um empate, porque festejo o belo e a força da nossa juventude, com o mesmo entusiasmo que acredito que "panela véia é que faz comida boa.


No dia em que eu estava saindo da empresa na qual trabalhei por mais de vinte anos, a pessoa que estava fazendo a minha demissão comentou que um amigo nosso (o meu chefe, no caso), tinha começado o maior negócio da vida dele com quarenta anos. Ela sabia que eu estava com 43 anos e então falou: "Se esse é o teu sonho, então eu acredito que não é tarde para começar. Vai lá, confia que vai dar certo." Eu continuo sonhando e confiando.


Depois daquele dia, conheci diversos outros casos de autores e autoras que só iniciairam na carreira literária depois dos quarenta anos. Isso porque em nosso país, ainda está muito arraigada a ideia de que não é possível viver da escrita. Escrever não dá dinheiro. Ser escritor no Brasil é pedir para morrer de fome. Eu já ouvi muito isso. Por isso, que grandes nomes começam tarde na literatura. Porque primeiro precisam ganhar dinheiro para sobreviver e então, quando disserem que você não serve mais para aquele cargo, porque não é jovem, não é mais tão bonita, nem tão magra, daí sim, você pode dedicar-se ao sonho de escrever um livro. Ah, desde que não tenha filhos em idade de te dar um neto. Porque netos tem o dom de roubar o tempo livre dos avós.


Se você ainda está em dúvida se pode mesmo começar a escrever após os 40, vamos ver alguns exemplos que podem te fazer mudar de ideia.


Machado de Assis tinha 46 anos quando ficou famoso com o seu "Memórias Póstumas de Brás Cubas" e, apartir dessa publicação, ele entrou no auge da sua carreira. E isso não é só porque ele ficou velho, e sim, porque ele entendeu qoue o tempo não apagava a criatividade, ele apenas a destila.


Cora Coralina publicou seu primeiro livro aos 75 anos. Ela não tinha pressa; tinha vivência.


Annie Ernaux: Embora tenha começado antes, foi na maturidade que sua “autobiografia impessoal” ganhou a força que a levou ao Nobel.


Toni Morrison: Estreou no romance aos 39, provando que o olhar maduro sobre a história é, muitas vezes, mais devastador e preciso.


Escrever após os 40 não é um ato de "atraso", e sim, de libertação. É o momento em que o autor para de pedir licença para existir. Se aos 20 escrevemos com o sangue, aos 40 escrevemos com o coração e com a memória.


A literatura feita na maturidade tem menos adereços e mais ossos. É uma escrita que não quer impressionar pela pirotecnia, mas pela verdade nua de quem já não tempo de perfer com metáforas vazias.


Como Machado nos ensinou, a "flor do entardecer" pode ser a mais exuberante do jardim. Portanto, se você tem um manuscrito guardado na gaveta é hora de tirar e dar vida à ele, afinal, a vida está apenas começando.


Boa sorte!

 
 
 

Comentários


bottom of page